quinta-feira, 14 de julho de 2011

Diabetes Gestacional


Diabetes Gestacional é uma patologia que acomete subitamente mulheres não-diabéticas que engravidam. 
No Diabetes Gestacional, a mulher desenvolve o Diabetes somente durante a gestação porque produz uma quantidade insuficiente de insulina para ela e seu bebê.
Ao término da gestação, a mulher volta ao seu estado normal de produção de insulina. Isto ocorre porque, neste período, a placenta produz substâncias que bloqueiam a ação da insulina, o que pode provocar a elevação de glicose. 
Mas não é preciso se alarmar. Essa é uma situação passageira em sua vida e seu bebê vai se desenvolver normalmente se forem seguidas todas as recomendações do seu médico. 
Ao término da gestação a mulher volta ao seu estado normal e vai experimentar a emocionante tarefa de ser mãe. 

Fatores de risco
• Idade acima de 30 anos; 
• Obesidade ou ganho excessivo de peso na gestação; 
• Parentes próximos com Diabetes; 
• Gestação anterior com bebê pesando mais que 4 Kg ao nascer; 
• Aborto ou morte fetal anterior (não-esclarecidos); 
• Tratamento para "Pressão alta" ; 
• Diabetes presente em gestações anteriores; 
• Presença de glicose na urina. 

Sintomas 
• Urinar muito 
• Ter sede exagerada 
• Comer muito 
• Perda ou aumento exagerado de peso 
• Cansaço, fraqueza e desânimo. 
OBS: O diabetes gestacional pode estar presente mesmo sem que a mulher apresente quaisquer desses sintomas 

Conseqüências do aumento anormal da glicose para a mãe e o bebê
• Macrossomia - a criança cresce muito e pode nascer pesando mais que 4 Kg; 
• Parto cesariano em função do tamanho da criança ; 
• Bebê com hipoglicemia (baixa de açúcar no sangue); 
• Morte fetal intra-útero; 
• Infecções urinárias freqüentes na gestação; 
• Parto prematuro em função de excesso de líquido amniótico no útero, causando, inclusive, aumento exagerado da barriga e do peso corporal. 

Quando o Diabetes Gestacional for diagnosticado, seria ideal o acompanhamento de uma equipe composta por médicos obstetra e endocrinologista, nutricionista e enfermeira. Caso contrário, siga corretamente as instruções do seu médico. 
Mantendo os níveis de glicose em valores normais, a gestante evita todas as  conseqüências do Diabetes Gestacional.





Estudos e estatisticas


1º Estudo.


Entre os resultados perinatais, foram avaliados: a idade gestacional no nascimento; o peso do recém-nascido e sua classificação em relação à idade gestacional, categorizada em pequeno (peso<P10), adequado e grande (GIG; peso>P90); e a ocorrência de macrossomia (peso≥4,0 kg), hiperbilirrubinemia (presença de icterícia visível nas primeiras 24 horas de vida com bilirrubina plasmática maior que 12 mg/dL), hipoglicemia (definida por uma única dosagem de glicemia igual ou inferior a 45 mg/dL nas primeiras 72 horas de vida) e policitemia (>60%)



Estes resultados referem-se à análise de 103 gestantes portadoras de diabetes, gestacional (n=50; classes A/B) ou clínico (n=53; classes B a FRH), tratadas com insulina e acompanhadas no Serviço de Diabete e Gravidez da Faculdade de Medicina de Botucatu da UNESP, no período de outubro de 2003 a dezembro de 2005.
O GP foi adequado para 42% das gestantes do grupo diabetes gestacional e para 52,8% das classificadas no diabetes clínico, não havendo diferença entre os grupos. Resultados similares foram observados para a faixa de GP≥16 kg, respectivamente 42 e 52,8%. Entretanto, maior proporção das portadoras de diabetes gestacional (36%) teve incremento de peso inferior a 8 kg, com diferença estatística em relação ao grupo diabetes clínico (17%), conforme Tabela 1




O grupo com diabetes gestacional foi caracterizado por iniciar o tratamento mais tardiamente (66% a partir da 27ª semana) e usar insulina por menor tempo (68% por tempo máximo de dez semanas), aplicada uma vez ao dia (42% em dose única/dia). Estes resultados foram diferentes dos observados no grupo diabetes clínico, caracterizado por início precoce (47,2% até 12 semanas), maior duração (56,6% por mais de 21 semanas) e maior número de aplicações diárias (54,7% receberam três aplicações/dia). Apesar disso, o comportamento da evolução do incremento de insulina durante a gestação não diferenciou os grupos, sendo classificado como fisiológico na maioria das gestantes (52% no gestacional e 64,2% no clínico) conforme Tabela 1.



Relacionada ao peso real, administrou-se dose comparável de insulina nos dois grupos no primeiro trimestre de gestação, variando de 0,53±0,38 UI/kg peso no diabetes gestacional até 0,78±0,4 UI/kg peso no diabetes clínico, sem diferença significante (p=0,4). No segundo e terceiro trimestres da gestação, as pacientes com diabetes clínico receberam as maiores doses de insulina, respectivamente, 0,99±0,53 e 1,12±0,56 UI/kg peso, diferenciando do grupo diabete gestacional, que recebeu em torno de 0,50 UI/kg peso (Tabela 2).





Maior proporção de diabéticas gestacionais recebeu doses menores que as preconizadas na literatura. De modo inverso, as diabéticas clínicas receberam doses maiores que as preconizadas, respectivamente, no segundo e terceiro trimestres da gestação. Estes resultados foram significativos (Tabela 2).
 Independentemente do tipo de diabete, a classificação da MG do terceiro trimestre da gestação evidenciou que o controle glicêmico foi ideal (MG≤100 mg/dL) ou adequado (100<MG<120 mg/dL) na maioria das gestantes do estudo. Entretanto, o controle glicêmico foi inadequado (MG≥20 mg/dL) em maior proporção no diabetes clínico, diferente do observado no diabetes gestacional (Tabela 3).





A idade gestacional média no parto foi de 37,3±1,4 semanas no diabetes gestacional e de 36,3±1,9 semanas no diabetes clínico, com diferença significativa (p=0,003) entre os grupos. Os resultados adversos perinatais mais comuns foram os recém-nascidos GIG e a hipoglicemia neonatal, respectivamente 30 e 26% no diabetes gestacional e 19,2 e 42,3% no diabetes clínico, sem diferença estatística entre os grupos. A macrossomia foi o único resultado estatisticamente diferente entre os grupos (p=0,037), mais observada no diabetes gestacional (16 versus 3,8%). SDR, policitemia, malformações e óbito fetal ocorreram em pequena proporção, apenas no diabetes clínico. A hiperbilirrubinemia foi diagnosticada somente no diabetes gestacional (2%) e não ocorreu nenhum caso de morte neonatal. Na grande maioria dos recém-nascidos a alta hospitalar aconteceu nos primeiros sete dias e também não se relacionou ao tipo do diabetes materno (Tabela 3).




2° Estudo.

Os objetivos foram analisar a incidência da morbidade neonatal em recém-nascidos de mães com diabetes gestacional em relação a recém-nascidos de mães não diabéticas e analisar a incidência da morbidade neonatal em recém-nascidos de mães com diabetes gestacional controlado e não controlado.

Foram estudados 216 recém-nascidos procedentes da Maternidade do Instituto Materno-Infantil de Pernambuco. O grupo de estudo foi composto por 103 recém-nascidos produto de gestações com diabetes gestacional, dentre as quais 48 foram consideradas como controladas e 55 como não controladas. O grupo controle foi composto por 113 recém-nascidos produto de gestações não diabéticas. A pesquisa foi de natureza descritiva com acompanhamento prospectivo até a alta hospitalar do recém-nascido.

A morbidade neonatal encontrada nos dois grupos do estudo encontra-se na tabela 1. Com exceção da policitemia, constatou-se uma maior morbidade neonatal no grupo de diabetes gestacional quando comparado com o grupo controle, embora esta diferença não tenha sido estatisticamente significativa. Apenas o item doenças respiratórias apresentou uma diferença significativa entre os dois grupos.


A prematuridade foi 1,8 vezes maior no grupo de diabetes gestacional do que no grupo-controle (Figura 1). Os distúrbios metabólicos, hipoglicemia e hipocalcemia, também foram mais freqüentes nos recém-nascidos produtos de gestações diabéticas (Figura 2). Observa-se que a incidência de recém-nascidos grande para idade gestacional foi praticamente semelhante entre os dois grupos.



Dentro do grupo de diabetes gestacional, observou-se uma menor morbidade neonatal no grupo das gestações controladas quando comparadas com as não-controladas (Tabela 2).


A incidência de recém-nascidos grande para idade gestacional foi 2,6 vezes maior nas gestações diabéticas não controladas (Figura 3). Todos os recém-nascidos pré-termo e que apresentaram hipocalcemia pertenciam ao grupo de diabetes gestacional não-controlado, sendo estatisticamente significativo.
Em relação a hipoglicemia apresentada pelos recém-nascidos de mães com diabetes gestacional, 70% dos casos foram assintomáticos e 85,5% de aparecimento precoce, dentro das primeiras três horas de vida.

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